sábado, 5 de agosto de 2017

Sobre desenhos, cores e a moça que não era oriental

Viver é mó foda, né mano? Pois é.
Agora calcule: imagine-se ser mulher, mãe de duas, passar por humilhação, submeter-se à situações das quais, hoje, não se orgulha simplesmente pelo bem das vidas das quais você ama e é responsável.

Imaginou?

Agora tu sabe que tua vida não é tão difícil, certo?

Quando a conheci, vi uma artista. No movimento das mãos, no jeito de falar, na maneira de segurar o cigarro que tanto relutou pra acender.
Me pediu. Eu dei.
Falamos sobre jogos, coisas banais. Falamos sobre a vida.
Ali eu percebi: moça, tu não é normal.

Mas a vida é uma filha de meretriz. A vida quer ver a gente no poço pra, quem sabe, nos ver no topo.
Pra mim e pra tantas outras pessoas que vi, sincero, ela sempre teve o topo.

Moça. Ei, é contigo: chora não. Faça das tuas lágrimas tua arte. Faça de tudo de mal teu bem, tua criação. Faça de teus dois tesouros, alegria.

Eu sei que tu sabe fazer isso.

Mostre tua inteligência.
Tua genialidade.

Saiba que pessoas vêm e vão, mas a tua vida é uma só. E preciso te falar que tu ta mandando muito bem nessa, hein?
Tenho orgulho de te ter como inspiração em alguns muitos campos da minha vida por mais que eu só saiba desenhar bonecos feitos de palito.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Dentro de mim

Vou te dar uma dica: sempre que conhecer uma pessoa nova, guarde na mente que ela tem um passado. Ela teve uma vida antes de você e não há nada que possa fazer pra mudar isso.
Você não é o ponto inicial e também, na maioria das vezes, não será o ponto final.
Entenda que é pretensioso demais da sua parte achar que ensinou tudo e que aquele ser que admira é obra sua. Afinal, fica a pergunta: você seria surpreendido por um ser humano que é seu espelho?
Creio, fielmente, que não.

Hoje eu sei que, em toda a minha vida, minha maior dificuldade foi (e é) aceitar estes fatos passados. Perdi noites sonhando e pensando em coisas que as pessoas poderiam ter feito com outras. Coisas que rolaram comigo. Coisas que, por horas de ilusão, eu achei que fossem exclusivas. Minhas. De mais ninguém.
Me custou e ainda custa muito aquele negócio de "fulana de tal é o que é por conta disso, disso e daquilo". Ou "sabe o que sabe por experiência anterior".

Será que eu sou tão estúpido a achar que as outras pessoas também não pensam o mesmo de mim? Será que eu vou morrer sendo idiota e me achando o foda?
Eu também tive passado!
Todos tivemos.

Acho que a maior lição que se pode aprender é: aceite as pessoas como elas são. Aceite a vida como ela é. Aceite que todos somos diferentes e aprenda a apreciar o ser humano pelo que ele é e não julgue ninguém pelo que já foi.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

4:25 AM

A sós danço sobre um teto preto.

"Eu não devia ter vindo aqui mas, já que eu vim, me dá aquela de cinco
e me conta sobre como a sua vida tá indo".

Bebo num gole só a dose
.

"Já não somos tão jovens mais, né não?..."


Você descobre sempre quando eu minto
ou blefo com um casal de ás.
Irônico.


As vezes pareço uma pistola: esbanjo o perigo em poema de dentro pra fora.

É.

Terra de dilema: cifra a rimar; o poema a rimar e o poeta a te devorar.


"Ow, na quinta eu devolvo o seu brinco".


...


Às vezes me perco nas hora.
No sol de Ubatuba, saindo de cena, eu fico. Tu comemora.
Texto de vendedor de poema eu troco e aplico.

NOSSA SENHORA!

Escrevi isso aqui só pra te intimidar
 mas no fim percebi que no fundo era só solidão.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Visão

Eu vou te explicar a minha visão sobre o que ta acontecendo.

Já te passei ela antes mas, talvez, agora você escute já que não está nervoso ou algo assim.

Não é falta de amor.
Não é falta de cuidado, nem de sentimento.
Não é falta de nos importarmos um com o outro.
Não é falta de emocional, de maneira alguma. Ou carnal, se for relevante ressaltar.

É a vida que ta insustentável. A necessidade que se tem que antes não se tinha. Ou tinha, mas não era tão aflorada.
São as pessoas que a gente conhece, os diálogos que a gente tem, os conselhos que a gente ouve. Querendo ou não, de uma forma ou de outra, eles entram em nós. Eles nos fazem questionar se a nossa vida, do jeito que tá, REALMENTE está boa. REALMENTE estamos bem? E a resposta, há muito tempo, tem sido sempre "não".

Porque nada é suficiente. Incomoda demais essa vida parcial, essa metade. E isso faz com que coisas casuais sejam uma bomba atômica, como eu ir tomar uma cerveja com as meninas numa sexta - coisa que sempre ocorria -, por exemplo. Ou você sair com aquele seu amigo que eu nunca fui com a cara e que eu já havia lhe pedido milhões de vezes pra tomar cuidado.

Acontece que, pra mim, sempre foi saudável que tivéssemos tempo para amizades. Que saíssemos mais e que lembrássemos de que somos pessoas sensacionais que merecem divertir-se com outras pessoas sensacionais que apareceram e ficaram nas nossas vidas.
Eu nunca te pedi pra abdicar do seu futebol, da sua breja. Nunca te pedi pra ficar trancado em casa, no quarto, vendo Netflix. Muito pelo contrário. Esse discurso de agora é super antigo e VOCÊ SABE. Mas, mais uma vez, vem o que eu falei antes: a nebulosidade que se instalou na sua mente de que tudo é negativo distorce a mensagem e diz que eu tô pouco me fudendo se você comer outra.

Me diz, agora, com a mente limpa: quando eu disse isso?

Se for parar e pensar, sem aquela vibração da raiva que te domina e te transforma em outro ser humano, chegaremos à mesma conclusão: até quando você vai ficar estourando e me difamando num dia pra no outro parar, pensar e recomeçar tudo de novo num diálogo civilizado? Pra quê passar por isso sendo que poderíamos economizar tempo e falar sobre na hora?Sem gaps de comunicação.
Até quando vamos viver terminando, explodindo, falando merda e, depois, vendo as coisas direito? Trocando uma ideia?

Quanto tempo vai demorar pra essa cena acontecer mais uma vez? Sete dias?

Será que vamos bater o recorde de três brigas em sete dias e partir pra quatro? E quando chegarmos a sete brigas em sete dias?

É disso que eu tô falando.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Entre o demônio e o profundo mar azul

Mais um dia onde o navio afunda. Mais um dia onde eu não sinto o mesmo que sentia antes.

Sei que não sou mais o mesmo.

A verdade é que estava me guardando, mas não mais estou aqui. E a batalha nunca acaba e você quis a guerra. A diferença é que não estarei aqui mais.
E o mesmo tempo que me tira de você é aquele que me faz levantar. Você se fez escapar por entre as minhas mãos como grãos de areia a cada palavra que dizia.

Mas você vai me achar. Vai me achar entre o demônio e o profundo mar azul.
Só que estou afundando.

Consegue ouvir minha prece?
Se você teve a resposta, bastava me avisar. Ce sempre tinha todas elas.
Você me foi roubada em outra vida, assim como acontece agora.

Com você eu quis compartilhar meus últimos suspiros, mas tive costas como resposta.
Mais uma vez.

Você caía como água por entre as minhas mãos.

Ah...
Mas você vai me achar. Vai me achar por entre o demônio e o profundo mar azul.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Segundo ato: Deletada

Dia aleatório, de um mês qualquer, e de um ano ainda mais qualquer.
Faz frio. Muito frio.

Uma longa tragada. Sopro demorado. Um gole.
Saca do celular. Aqueles cliques das teclas sendo acionadas sobressaem-se da música que escuta.

Digita.

"O tempo passa, muitas vezes, de maneiras que a gente não entende, né? Por exemplo, quando abri os olhos hoje pela manhã, não imaginei que fosse me sentir tão bem quanto agora... Não imaginei que as horas fossem ser esgotadas assim, à esmo. Que ia me sentir ansioso, agoniado, mas, ao mesmo tempo, feliz. Que ia me sentir de quinhentas maneiras em dois segundos.
Quando saí da cama, não pensei que fosse te odiar. Nem pensei que fosse te amar. Nem te odiar de novo e nem te amar de novo.
Haha
Como pode?
Quando saí da cama, não quis realmente levantar. Levantei, inicialmente, pela obrigação do ato em si. O ato de levantar. O ato de seguir com a vida e com as horas como as pessoas adultas fazem.
Quis que o tempo passasse rápido pra que eu pudesse dormir de novo.
Mas, olha só que engraçado: você me fez desejar que o tempo passasse devagar. Fez com que dormir se tornasse a minha última opção.
Aliás, dormir? Nem passou pela minha cabeça.
Eu queria mais daquilo ali. Daquele negócio de te ver falar sobre as suas séries, seus filmes, seu trabalho, seus joguinhos do celular. Sobre aquele amigo com quem ce tretou ou sobre aquele que ce não vê há tempos.
Queria te ver abraçar mais aqueles que lhe são queridos. Queria te ver dançar mais aquelas que ce chama de 'suas músicas'.
Às vezes, eu acho que esse tempo curto é um filho da puta que me faz apaixonar-me cada vez mais por você. Depois, eu encaro-o como aquele baixinho do fundamental que ninguém dava um real e que, após umas doses de vida, torna-se a aquele mais atraente que já se viu.
Seu tempo é isso pra mim: aquele que por menor que seja, me deixa preso de uma maneira que me faz saber até quantas polegadas ele mede.
E me faz amar cada uma delas."

Ele apaga o cigarro.
Joga a lata fora.
Deleta a mensagem.

"Quão idiota ela me acharia agora?"

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O juiz mandou seguir o jogo

Hoje pela manhã, tive um diálogo sobre amor. Sobre a figura em si, sobre o sentimento e não sobre as coisas que ele constrói.
Sei lá.
Não sobre a forma que "vivemos" o dito cujo, mas sim como o colocamos em nossas vidas e, obviamente, em como ele se apresenta pra nós.

Depois disso tudo, concluí que o amor vive dele mesmo e um relacionamento não vive de amor. Relacionamentos terminam mesmo havendo amor pois o simples fato dele existir não supre a possível falta de cumplicidade e respeito, por exemplo. A falta de empatia.
Amor vive dele mesmo e relacionamentos não vivem de amor.
O amor é autossuficiente. Ele está pouco se fudendo pra você ou pro outro. Ele quer é saber de existir e de fazer questão de que você saiba que ele tá ali, assombrando, apertando, cutucando, mas também animando, alegrando. Te fazendo viver mais plenamente.
E não adianta ignorar.
Ele vai te causar angústia, dores pulmonares de tanta saudade, dor de cabeça devido aos tantos conflitos causados na sua mente.
Vai te socar no estômago. Vai te jogar nas chamas.

O amor não morre. Ele dorme por tempo indeterminado.
Podemos nos enganar quando falamos que algo era amor, mas o tira-teima vem quando, após um tempo X, encontramos a pessoa de novo. Se não sentir nada, é porque não era amor. Não era e nunca foi.
Ninguém é capaz de tal feito então pode parar de se vangloriar, migx.

Chegamos a pensar que, se o sentimento é nosso, por que caralhas não podemos escolher? Tipo:
"oi, ce quer me amar?"
"Aham"
"Ok, obrigado"
"De nada"

Só que também não daria certo. Seriam muitos conflitos de interesses, haha. Muitas pessoas querendo as mesmas pessoas.
Ou pior: você escolhe fulano, mas o fulano quer a beltrana.
Em um cálculo simples, a taxa de reciprocidade estaria zerada.

Ok, hoje não estamos vivendo as mil maravilhas, mas pelo menos existe a possibilidade de ser recíproco justamente pela ausência do livre arbítrio.
Hoje, essa taxa de reciprocidade é QUASE zero.

Menos mal.

Se arrumar direitinho, todo mundo ama.


...


O amor é foda, pai.