sexta-feira, 29 de julho de 2011

A banda.

A ordem, meus manos e desconhecidos meus, é abrir a janela, abrir não, escancará-la, é subir ao terraço como fez o velho que era fraco mas subiu assim mesmo, é correr à rua no rastro da meninada, e ver e ouvir a banda que passa. Viva a música, viva o sopro de amor que a música e banda vem trazendo, Chico Buarque de Hollanda à frente, e que restaura em nós hipotecados palácios em ruínas, jardins pisoteados, cisternas secas, compensando-nos da confiança perdida nos homens e suas promessas, da perda dos sonhos que o desamor puiu e fixou, e que são agora como o paletó roído de traça, a pele escarificada de onde fugiu a beleza, o pó no ar, na falta de ar.


Carlos Drummond de Andrade.

Trajetória.

E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar já sabendo que a voz diz pouco, já começando por ser despessoal. Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos. Em matéria de viver, nunca se pode chegar antes. A via-crucis não é um descaminho, é a passagem única, não se chega senão através dela e com ela. A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prêmio. A este só se chega quando se experimentou o poder de construir, e, apesar do gosto de poder, prefere-se a desistência. A desistência tem que ser uma escolha. Desistir é a escolha mais sagrada de uma vida. Desistir é o verdadeiro instante humano. E só esta, é a glória própria de minha condição. A desistência é uma revelação.


Clarice Lispector.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Repugnante.

Já aconteceu isso com você? Simplesmente não suportar um determinado ser humano sem nem mesmo terem trocado mais de cinco ou seis palavras? De você não querer ver aquele ser na sua frente ou simplesmente achar ridícula toda e qualquer aparição pública que essa pessoa faça? De toda e qualquer forma que você a veja, tentar arrumar alguma coisa pra falar? Ou discordar simplesmente? Aquele sentimento que faz com que você discorde de toda e qualquer palavra que ela diga e até mesmo dos sons que emite? Achar ridículo seus gostos, suas roupas, suas fotos, seu andar, TUDO?
Pois então, estou nesse estado. Nunca senti isso em toda a minha vida. Não que seja tão longa assim. 
Deus que me perdoe, mas é assim que eu me sinto. 
Talvez a palavra certa seja repugnância. 

Esse foi o post que eu escrevi mais rápido. Três minutos apenas. 
Também, não precisei pensar. 


(ouvindo Panic! At The Disco - Lying Is The Most Fun A Girl Can Have Without Taking Her Clothes Off)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Negligência.

Acredito que somos muitos bons em fazer merda, porque olha. É o que mais acontece. 
Mesmo quando não queremos, fazemos. Negligenciamos às pessoas que amamos, que nos importamos e, querendo ou não, isso gera uma grande, uma imensa insegurança nos corações dessas pessoas. Mas o que a gente mais quer é que elas saibam que são importantes, que são tudo, que são fundamentais para a nossa sobrevivência... Para a nossa felicidade... Para tudo. 
O que mais queremos é que entendam o quanto significam para nós mas, muitas vezes, a nossa imprudência e até mesmo uma parcela de infantilidade, acaba não permitindo isso. Dessa forma, fica bem mais difícil de termos qualquer tipo de credibilidade. Qualquer tipo de retorno. 
Se há algum culpado na história, somos nós mesmos. Somos aqueles que, mesmo que só uma vez, negaram a atenção, o envolvimento, a preocupação. Mas, sabemos que acima de tudo, essa nunca foi e nunca será a nossa intenção. 
Se pudéssemos, tudo seria tão claro. Tão limpo... Como vidro, como água, como a nossa alma aparenta ser quando desabafamos e quando olhamos nos olhos das pessoas importantes e dizemos o quanto as amamos. 
Mas, as vezes, os fins não justificam os meios e você acaba assim, escrevendo sobre coisas que foi incapaz de fazer. 


(ouvindo Kaiser Chiefs - Ruby)

Autodestruição.

Não confio mais em mim.
Queria muito poder confiar e ter aquela visão ampla, aquela visão 'pra frente', sabe? Ter otimismo e tal. Mas, nem isso. 
Eu não queria tudo. Só o normal, o digno. Você entende. Aquelas preocupações idiotas, ta ligado? Não queria que existissem. 
Problemas? Todo mundo tem. Mas a chave da vida é não pensar neles ou pelo menos ter uma garantia concreta de que pode resolvê-los. 
Eu não tenho nem um, nem outro. 
Sabe quando você para, olha em volta e começa ter pensamentos absurdos? Tipo: 'por que aquele filha da puta pode e eu não?' ou 'por que um idiota desse tem e eu não?'. 'Por que ele ta rindo agora e eu nem rir posso? Minhas preocupações não deixam.'. 
Coisas assim. 
Mas tudo é o que é. 
As coisas são como são. 
As pessoas nascem iguais mas não morrem iguais. A diferença quem faz, é você. 
Entendo que não posso ficar que nem um idiota me lamentando por aí. Entende? Sem essa de ficar trancado dentro do quarto chorando as pitangas. FODA-SE o que você acha! Você pra mim não é nada. 
Não preciso de pessoas que me deixem pra baixo pois eu já tenho em quem me segurar: em mim mesmo. Confio em mim. 
Tenho que pessoas que torcem por mim, graças a Deus. Eu também torço por elas. Todas elas. 
Torço pra que sejam felizes e conquistem tudo o que sempre desejaram. 


(ouvindo Radiohead - Karma Police)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Pedir, recusar e usar.

Pra variar, me refiro à sentimentos. 
Sentimentos não se pedem, não se recusam e muito menos se usam. 
Iniciaremos pelo simples.
Imagine você recusando-se ser amigo de alguém. A vida não é um Facebook onde você pode escolher 'adicionar' alguém à ela e muito menos um msn, onde você pode, simplesmente, bloquear as pessoas 'indesejadas'. Isso não existe. 
Você pode até mesmo ser capaz de recusar-se a algo mas, no seu íntimo, aquela cena esta gravada e de lá nunca sairá. Logo, você não pediu nada. Aconteceu. Não dá pra excluir. Simples assim. 
A vida não foi feita pra ser usada. Tão pouco os sentimentos alheios. 
Imagine alguém te usando. Que lindo seria você se entregar a alguém e, essa mesma pessoa, te usar. Te sugar. Te drenar... Até o último fio de vida dentro de você, se esvair...
É, não tem nada de lindo nisso, certo?
Amor não se pede, não se usa e, muito menos, se recusa. 
O que acontece quando você é a principal fonte da dor? Como se sentiria?
Isso é o que aconteceria com você se acaso recusasse os sentimentos de alguém. Você não é obrigado a aceitar tudo de todos mas pode muito bem fazer com que as pessoas enxerguem a verdade e, dessa forma, vejam que, de alguma forma, entregar o amor delas a você seja o sinônimo de entregar-se ao perigo. 
Permita-se viver. Permita-se ser feliz. Permita-se deixar que te façam feliz. 
Mas entenda bem: a má fé existe e sempre existirá. Saiba enxergar, saiba abrir os olhos. Não só pra ver o que esta bem a sua frente. Mas os abra pra enxergar o que já passou ou o que ainda esta por vir. 
Eu não estou falando do futuro nem do destino. Estou falando de ser capaz de ver a alma das pessoas ou de pelo menos deixar que elas te mostrem. 
Acredite, ninguém mente pra sempre.  A verdade fica clara, uma hora. 
E, finalmente, você será incapaz de pedir para que ele (a) se vá, incapaz de recusar sua presença e mais incapaz ainda de usá-lo (a). Claro que não. 
Você estará muito mais preocupado (a) em fazer aquela pessoa entender que ela que deve te usar. O quanto quiser. 


(ouvindo Eminem - When I'm Gone)

Controle.

Cada um tem aquilo que mais irrita. Pra mim, é julgamento.
Pessoas que ditam as suas intenções antes mesmo de você mostra-las. Pessoas que ditam suas atitudes sem nem mesmo terem acontecido. Aquele que praticamente prevêem o seu futuro pra você sem nem mesmo sequer ter sido solicitada a opinião.
Cansei disso.
O que eu mais quero é jogar na cara de cada um que duvidou do que eu sou capaz ou que me julgou, que me taxou. Agora é a hora de agir.
Ta na hora de mostrar que as pessoas não podem dizer o que querem e saírem impunes disso, como se nada tivessem dito. Se fosse assim, a vida seria fácil. Poderia sair por ai falando de todo mundo sem nenhuma consequência.
Agora, tudo muda. E quando me virem por cima, quem rirá serei eu. Eu rirei.
Não acredito nesse negócio de 'motivação errada'. Aquele tipo de motivação que você toma dos motivos errados pra agir. Talvez a minha até seja dessas. Até seja desse tipo.
Então que seja. Mas será então com esse motivo mesmo que eu vou fazer de tudo pra continuar, de tudo pra dar a volta por cima.
Confesso que estou com muito ódio e isso não é, nem de longe, algo bom ao que se motivar. Mas assim será.
Me espere, futuro. Me espere, destino. Por mais que eu nao acredite em você. Mas, a partir de hoje, você vai acreditar em mim.


(ouvindo às vozes do meu ódio)