quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Te desafio.

E eu te pergunto: é tão ruim assim demonstrar afeto?
É tão bosta deixar claro o que se sente?
Você vai ser menos humano se disser que ama alguém?
Por que, pra nós, é tão difícil admitir um sentimento considerado bom globalmente? Um sentimento que, nos filmes, nas novelas e nos livros, completa as pessoas, muda vidas e constrói finais felizes.
Por que é mais fácil se esconder atrás de letras digitadas e indiferença mascarada?
Eu não entendo.
Fazemos isso o tempo todo. 
Contamos mentiras diárias ao falarmos que "está tudo bem" quando na real não está. Estamos mentindo ao falarmos que não nos importamos quando aquela mina se aproxima do cara que ce ta curtindo sendo que, na verdade, ce tem uma espécie de escavadeira destruindo tudo desde seu estômago até o cérebro.... O sorriso está sempre presente nas fotos, mas, na roda de bar, o mesmo nem dá as caras. Nem "oi" o filha da puta dá.

Diz que você não prefere ser vulnerável por 10 segundos mas, em seguida, sentir-se mais forte que o mundo por ter tido coragem de olhar nos olhos de outro ser humano, igual a você, e dizer o que te aflige.
Diz pra mim: POR QUE É TÃO DIFÍCIL?

Melhor seria cagar regra; 
Melhor seria chorar e falar uma par de merda; 
Melhor seria, por um segundo, agir como se o mundo girasse em volta do seu umbigo; 
Melhor seria ser frágil; 
Melhor seria romper o casulo para, em seguida, sentir-se mais leve que o ar. 

Fala pra mim que prefere isolar-se em seus fones do que ouvir seus sons preferidos junto a uma companhia agradável.
Fala que prefere beber todas assistindo Netflix na sua sala solitária.
Fala que é melhor fumar 20 maços de cigarro num quarto fechado, cheirar a nicotina 60 dias enquanto enche o rabo de catuaba de açaí do que sentar numa calçada e fazer o mesmo acompanhado. 
Diz, conta, admite, mente pra mim e diz que é melhor a solidão do que a companhia de quem te faz bem. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Tempo.

Eis a maior muleta do ser humano. A maior desculpa.
Quantas vezes já deixamos de fazer algo simplesmente por alegarmos não ter tempo disponível para tal? Não ter espaço na agenda, na rotina. No calendário.
Somos tão complexos que até o excesso de tempo disponível nos irrita e acaba se tornando uma puta duma desculpa para, ainda assim, não fazer o que se quer. Aí vêm as desculpas secundárias: falta de companhia, preguiça, falta de motivação. A nossa mente cresce, cada vez mais, dentro de uma caixa de respostas automáticas onde o "eu posso" está diretamente relacionado ao "faço depois" e o tempo disponível é sempre pequeno demais. Nunca dá. Nunca é suficiente.
Tudo isso ocorre porque pensamos como "só" quando devíamos encarar como "ainda". 

AINDA temos vinte e quatro horas;
AINDA tenho vinte e sete anos;
AINDA vou fazer faculdade;
AINDA vou ser quem eu quero ser;
AINDA vou ir pra onde quiser ir. 

Porra, pode parecer aqueles discursos mela-cueca motivacional de "você pode tudo que quiser", mas mano, caralho, por que infernos é tão difícil tomar uma posição quando se precisa? Por que é mais fácil ficar em silêncio quando tem algo matando por dentro?
Me diz: até quando você vai pensar no bem estar do outro acima do seu? Até quando vai se torturar com sentimentos, palavras e atitudes em prol da tranquilidade de outra pessoa que, se for ver, nem te faz tão bem assim? Ela FEZ, migx. O tempo, nesse contexto, é verbal e você tá usando errado. 
Entendeu?
Passou da hora.

Hoje, pode ser que você esteja lendo isso com vinte anos, solteira, trabalhadora, independente, fazendo faculdade. Hoje, você pode ter consciência da sua liberdade. Mas é só isso que ce tem: consciência. O tal do "eu sei".
Sabe mas não vive.
De que adianta ser tudo isso quando, na real, ce tá vivendo como uma mulher de quarenta, dona de casa que sai, às vezes, pra trabalhar fora, se fode pra caralho, é mãe de três filhos que te exploram e casada com um marido que te bate?

Vai viver, humana. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Mente.

A gente precisa aprender a conviver com nossas decisões e os efeitos que elas causam nos envolvidos de forma direta e indireta.Temos que aprender a lidar com o peso das coisas que a gente escolhe fazer ou não fazer.
A verdade é que as pessoas se dão o tanto quanto estão acostumadas. Nada mais.

É difícil pra alguém que leva uma vida sempre envolvendo-se ao máximo em todos os relacionamentos, do nada, ver-se obrigada a não se dar demais. Pra ela, isso é uma tortura.
O mesmo ocorre com o contrário.
Alguém que não "cai de cabeça" na vida do outro, alguém que trata tudo superficialmente, que relacionamento é "um título", algo que serve só pra chamar de namorada(o), ir no cinema, apresentar pros pais, dar uma ou duas transadas por semana. Esse sim vai entrar em pânico quando se ver em algo mais profundo. Em algo que ENTRA NA MENTE mesmo. Que decifra a gente de dentro pra fora.
Gente que tá acostumada com o bom, velho e conveniente "de fora pra dentro" sofre MUITO pra entender a imensidão do ser humano.

Eu sei que é como se eu estivesse dialogando sozinho - sim, um texto trata-se exatamente disso - e vocês estivessem preocupados demais em sorrir pra mim e dizer que tá tudo bem.

Não é isso que eu quero.

Espelhos.

Imagine se os espelhos mostrassem as pessoas como elas são por dentro. Imagine se, ao invés dessa visão pífia e superficial, eles mostrassem a verdadeira essência do ser humano.
Salários gastos com nutricionistas aproveitadores, dietas absurdas, chás milagrosos, quilos de maquiagem. Cartões estourados devido a compras em demasia, vestuário coberto de marcas de nome enquanto o seu, que vale muito mais que o de todos esses logos, está desvalorizado e ninguém mais lhe cede confiança - leia "crédito". Aí vem os consignados, cheque especial e sua vida vira uma bola de neve na qual você vai passar os próximos dez anos, no mínimo, rezando pra que ela encontre um muro e, enfim, deixe de existir.
Tudo isso porque, um dia, olhou-se no maldito espelho e decidiu que estava gordo(a); magro(a) demais; que "não tinha roupas". Concluiu que seus seios são desproporcionais; que tem uma marca de nascença que incomoda.
A verdade é que vivemos num habitat onde existem padrões de beleza e, pra grande maioria dos nativos, se ce tá fora dele, não é interessante. Tu não é atraente.
Convido-os a parar um minuto e questionarem-se: quando foi que você se tornou esse lixo? Que prefere apontar o dedo e dizer como as pessoas devem ser ou se comportar? Os lugares que devem frequentar ou as pessoas que devem ter à sua volta? Quando foi que a superfície passou a ser mais interessante que o esplendor e toda a diversidade de vida existente no fundo do mar?
Ah, como seria mágico se nossos reflexos nos mostrassem como somos por dentro.
Imagine a modelo de corpo escultural e barriga trincada que maltrata a empregada, ao deparar-se com sua imagem, vendo algo parecido com uma carranca.
E imagine como se sentiria aquele cara tímido, de alma calejada após tanta gozação sofrida no ensino médio, mas que se chamá-lo pra uma conversa, se apaixonaria pelo ser humano puro, cheio de conhecimento a compartilhar e nem um pouco arrogante.
Precisamos parar de afastar as pessoas, gente. Esse negócio tá muito fora de moda.

É, vou falar assim: fora de moda.

Quem sabe se usar de um termo fútil - assim como Vossas Senhorias são - consigo fazer com que entendam a merda na qual estão envolvidas.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Hoje.

Acho que chega um momento, pra todo mundo, em que muitas coisas passam a ficar, digamos, menos interessantes. Tediosas, talvez, mas gosto de pensar que o interesse meio que se esvai. Sei lá.
Maturidade é uma palavra que pode ou não se aplicar à essa questão. Acredito que seja mais algo relacionado ao seu estado de espírito, prioridades, obrigações.
O fato maior é que acabamos, mesmo sem querer, julgando mal aqueles que praticam aquilo que não vemos mais como relevante. Pura hipocrisia, eu sei.
Veja, prefiro, hoje, mil vezes sentar de frente a uma pessoa e dissertar sobre o assunto que for: futebol, estrelas, universo, livros, amizade, amor; gosto de ter os olhos do outro nos meus enquanto o escuto e vice-versa.
Encaro isso como algo positivo em uma época na qual é super comum perdermos o costume do estranho contato visual. Da relação interpessoal em si. Estamos acostumados a ver casais preocupados com suas postagens mesmo quando frente a frente em um restaurante x. Algo que, por padrão, deveria ser um momento a dois, é comum se tornar um momento " a centenas". Nossos olhos estão habituados às telas, mas não mais aos rostos. Tanto que se olhamos demais pra alguém, este mesmo encara o ato como algo ofensivo ou digno de intimidação.
Hoje, os sentimentos estão nos emoticons; o divertido está nas risadas digitadas e o tédio nos áudios gravados.
Desaprendemos a fazer telefonemas pois a voz de outrem é tediosa demais para se escutar por mais de trinta segundos. "Vou mandar uma mensagem pra ele (a)" se tornou o nosso script na vida.
As memórias do nosso cérebro não mais bastam. Elas precisam ser estimuladas por likes, compartilhamentos e marcações. Precisamos ser estimulados virtualmente pra chegarmos perto de sentir menos que o nada.
"É a evolução", você dirá.
Mas essa palavra é usada quando algo muda pra melhor, não?
Estamos usando-a em um momento claro de retrocesso.
Sei lá.
Sei que estou sendo hipócrita. Também sou usuário de tudo isso diariamente. É que me peguei pensando nessas coisas e me fizeram muito sentido.

Sabe, sempre que eu puder, vou passar a requisitar a presença dos meus. Aqueles que eu sinto falta, que quero por perto. Às vezes, os dias nos levam pelos caminhos mais fáceis, mas eu aprendi que os mais difíceis são os mais compensadores.

Tenta você também.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Todos somos feitos de pó de estrelas.

Ela fala sobre as estrelas e as compara às luzes da cidade noturna. Talvez, creio, seja por isso que, para ela, as ruas à noite são tão apaixonantes, sedutoras.
Luzes dos postes, faróis, semáforos. Dos bares. Todas essas são as suas estrelas particulares que, juntas, formam seu céu. Sua constelação.
Se reparar, brilhos faíscam em seus olhos sempre que fala de um alguém com o qual tenha se impressionado. De um alguém que a tenha marcado. Um professor, um amigo ou, sei lá, um familiar. As pessoas importantes também são brilhos eternos em sua mente cheia de lembranças. Mente essa, meu caro, que é nítida, clara, interessantíssima e, por mais que ela não queira, transparente.
Ah, se é.
Não é preciso ser um gênio, cartomante ou telepata para saber disso.
Seja uma boa companhia, mas não se esforce para tal: por mais esperto que você pareça ser, o mínimo movimento te entrega.
Pois é.
Nunca estamos protegidos de pessoas como ela. Transparentes, verdadeiras e íntegras. Afinal, assim como elas o são, também possuem a capacidade de fazer com que o resto do mundo seja aos seus olhos.
As pessoas e suas reações; o universo e sua infinidade; a noite e suas paixões; a mesa de bar e seus diálogos. Todos são como páginas de livros para ela. Todos esperam ansiosamente por aqueles que tenham a capacidade de lê-los, conhecê-los e, quem sabe, torná-los razão de emoção. Razão de boas memórias e, claro, aprendizado.
Ô, moça! A vida pra você é uma eterna universidade onde os tópicos mais importantes de fato são razão de sono e tédio para aqueles sem visão. Você que é tão lúcida, segura e sonhadora. Enxerga tudo isso com o mais puro fascínio estampado no rosto.
Sortudos são todos aqueles capazes de enxergar o universo presente nos seus olhos e tornar parte de si próprios. Entrar de cabeça numa espécie de viagem sem volta que é conhecê-la.
Conhece a pequenez do ser humano. É ciente do quão ínfimos, pequenos e insignificantes somos se comparados à imensidão infinita que nos cerca e, justamente por acreditar nisso com todas as suas forças, não teme o novo.
A mudança é seu playground. É o quintal de sua casa que faz visita todos os dias só para manter a certeza de que ele ainda está lá. Cultivado, firme, sólido, vivo e amplo o suficiente para comportar todos os seus sonhos.
"Todos somos feitos de pó de estrelas".
Verdade.
E, dessa vez, a culpa não é delas.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Por aí.

Eu queria sair por aí e conhecer alguém. Assim, sem precisar procurar no meio da multidão.
Alguém comum, sem destaques evidentes, sem cavalos brancos . Alguém que soubesse se aproximar sem ser invasiva ou que não se esforçasse tanto para parecer interessante. Alguém com quem eu pudesse conversar sobre filosofia, literatura, música, política ou simplesmente sobre o meu dia. Alguém a quem eu não precisasse impressionar com discursos inteligentes ou com demonstrações de segurança e autoconfiança. Alguém que me enxergasse sem idealizações e que me achasse atraente ao acordar, de camisa amassada e sem gel no cabelo. Alguém que me levasse ao cinema e, depois de um filme sem graça, me roubasse boas gargalhadas. Alguém de quem eu não quisesse fugir quando a intimidade derrubasse nossas máscaras. Eu queria não precisar usá-las e ainda assim não perder o mistério ou o encanto dos primeiros dias. Alguém que segurasse minha mão e tocasse meu coração. Que não me prendesse, não me limitasse, não me mudasse. Alguém com quem eu pudesse aprender e ensinar sem vergonhas ou prepotências. Alguém que me roubasse um beijo no meio de uma briga e me tirasse a razão sem que isso me ameaçasse. Que me dissesse que eu canto mal e que eu falo demais e que risse das vezes em que eu fosse desastrado. Alguém que me olhasse nos olhos quando fala, sem me deixar intimidado. Que não depositasse em mim a responsabilidade exclusiva de fazê-la feliz para com isso tentar isentar-se de culpa quando fracassasse. Alguém de quem eu não precisasse, mas com quem eu quisesse estar sem motivo certo. Alguém com qualidades e defeitos suportáveis. Que não fosse tão bonita e ainda assim eu não conseguisse olhar em outra direção. Alguém educada, mas sem frescuras; engraçada e, ao mesmo tempo, levasse a vida a sério, mas não excessivamente. Alguém que me encontrasse até quando eu tento desesperadamente me esconder do mundo. Eu queria sair por ai e conhecer alguém imperfeito. Feito para mim.